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LOBOS - Jão

LOBOS - Jão

LOBOS

Jão
Universal Music
Agosto / 2018
Pop
O que achamos: Fraco

O trabalho de estreia de João Romania, mais conhecido como Jão, é uma passarela por onde o cantor desfila tropeçando aos montes. Seu caminhar é carismático, charmoso, teatral, mas a aposta masculina para o pop nacional - como ele é muitas vezes apresentado - não consegue evitar ser indisfarçavelmente piegas durante a maior parte de Lobos, um álbum que apresenta, sim, o potencial de um menino cheio de talentos.

Acumulando fãs ao longo do último ano enquanto estrela da internet, Jão encontrou sua persona e sua estética muito rápido. Ele abusa do drama e da linguagem de sua geração, aparecendo machucado em seus videos e fotos promocionais, uma forma de expressar todo o interminável sofrimento que jorra de suas igualmente dramáticas canções. Mas em Lobos isso quase nunca soa realmente autêntico e intrigante. Em vez disso, o cantor desperdiça oportunidades de realmente se destacar no cenário pop brasileiro, com faixas que em pouca coisa se distinguem dos atuais sertanejos universitários (ou essa galera já se formou?) e que não resultam em nada, no fim das contas.

Eu digo “quase nunca”, pois há belas surpresas em Lobos, e a primeira vem logo na faixa inicial. “Vou Morrer Sozinho” é uma balada pop com toques de tecno brega, em que toda a potencia emocional de Jão encontra um sentido de ser, certeira em uma produção que impede que a composição dramática se leve a sério demais enquanto se mantem acessível e divertida. A parte falada em “ai, meu deus, eu vou morrer sozinho” é uma gostosura que só. A faixa final, “Monstros” é competente em apresentar uma bela composição, apostando numa produção mais simples. Uma pena que entre o início e fim, temos mais oito faixas.

Infelizmente, o tom escolhido para o resto do álbum é outro… As faixas seguem num tom breguinha, sem muita personalidade, sempre na linha temática da desilusão amorosa. Nem o bonito timbre da voz de Jão ameniza a aguaceira de chuchu que são faixas como “Imaturo” (seu primeiro single) e “Me Beija com Raiva” (esse título medonho). O cantor varia um pouco de tema na faixa “A Rua”, uma canção que eu sinceramente não sei sobre o que é.

No fim das contas, Lobos é um álbum que desperdiça o óbvio talento de Jão para o pop. Ao invés de investir numa atmosfera divertida e mais equilibrada para a sua veia dramática, o álbum escolhe o lado chato da juventude e leva a romantização de desilusões amorosas e atitudes inconsequentes ao seu limite. Não posso dizer que aprovei esse primeiro registro do cantor, mas confesso que não fecharei a porta para Jão ainda. Que ele saiba voltar com mais pimenta e menos açúcar <3

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