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Collapse EP - Aphex Twin

Collapse EP - Aphex Twin

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Collapse EP

Aphex Twin
Warp Records
Eletrônico, experimental
Setembro / 2018
O que achamos: Muito Bom

É engraçado ouvir Aphex Twin e pensar que o que ele faz há 27 anos é música eletrônica. “Música eletrônica” passa a ideia de que são sons exclusivamente produzidos ou modificados através de equipamentos e instrumentos eletrônicos, arranjos justapostos e sobrepostos por um artista, mas não por ele criados. Só que com a obra Richard D. James, a sensação é de que ouvi-lo é ouvir justamente uma extensão orgânica da mente funcionando em meio ao caos.

Desde 1991, sob o codinome Aphex Twin, James redefiniu (e talvez ajudou a definir) o que é a música eletrônica, com trabalhos experimentais, assombrosamente intrigantes e fascinantes. Em 2018, ele mostra com o EP Collapse que ainda tem muitas cartas na manga, e lança um de seus melhores trabalhos. Batidas frenéticas são como marteladas supersônicas que forram o terreno em que James constrói o universo de Collapse. Tudo é tão rápido e tão cheio de detalhes que as faixas sempre pedem que você as ouça de novo, tudo nesse universo convida à exploração.

Em alguns momentos no EP, as batidas rápidas, os ruídos metálicos agudos, os drones graves e os sintetizadores etéreos dão abrem espaços para breves calmarias que são preenchidas pro surpreendentes sons de teclados, synths mais suaves e batidas mais minimalistas que quase vão pontilhando uma imagem até crescerem suavemente, como uma onda, e arrebentarem retornando à sinfonia de texturas agressivas e intensas. Nesses momentos, tudo faz um sentido absurdo, enquanto entendemos de forma mais ampla o mosaico de ideias que compõem o trabalho.

Falando nas ideias, é difícil pra mim, confesso, interpreta-las numa obra que se coloca fora dos meios tradicionais de comunicação da música. Não há letras, excetuando-se alguns escassos samples de vozes, e não há construções melódicas claras. O pop não encontra espaço aqui, nem estruturas óbvias. No lugar disso, temos um trabalho que corre numa direção só, cheio de turbulências, como se o espaço estivesse desnivelado, como se esse mundo tivesse sofrido, de fato, um colapso. O caráter fragmentado de Collapse, por tanto, é o que dá identidade a ele e é o que sempre deu identidade a Aphex Twin.

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