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Remind Me Tomorrow - Sharon Van Etten

Remind Me Tomorrow - Sharon Van Etten

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Remind me Tomorrow

Sharon Van Etten
Jagjaguwar
Janeiro / 2019
Rock
O que achamos: Muito bom

Outro disco lindo de Sharon Van Etten.

Desde que lançou seu primeiro disco há 20 anos, o belíssimo e introspectivo Because I Was in Love, sharon foi dando pequenos passos na direção de mais riscos e experimentações, que renderam bons momentos na carreira da cantora e compositora. Remind Me Tomorrow, porém, é o maior salto que Sharon já deu até aqui. E não é do nada que vem essa virada de chave. Desde seu último lançamento, em 2014, a cantora voltou a estudar, fez seu primeiro trabalho como atriz na excelente série The O.A., e virou mãe. O resultado de tantas experiências foi um disco mais aberto, mais límpido e mais assertivo ao lado dos trabalhos mais emocionalmente pesados e introspectivos da cantora.

Nesse novo registro, Sharon une seu já costumeiro folk rock tristonho a referências de synth pop, abusando dos drones, synths e batidas mais marcantes. O resultado não é um álbum pop, mas um rock bem menos delineado e mais fluido, o qual ganha liga com o estilo único de composição da cantora, que a permite, através de letras e melodias fragmentadas, distorcidas, iluminar narrativas emocionalmente densas e expor conflitos de seu coração. Em Remind Me Tomorrow, temos gratas surpresas quando ouvimos o inusitado trip hop sensual de “Memorial Day” ou o rock-quase-grunge de “No One’s Easy to Love”, com batidas bem graves e um baixo marcante. Essas faixas expõem a maior atenção aos detalhes que a produção apresenta no novo registro, dando a impressão de que Sharon está no controle de tudo, mesmo quando suas canções soam tão confessionais (como acentuado pelo título de “I Told You Everything”).

O grande destaque no disco é, sem dúvidas, a poderosa “Comeback Kid”. Com uma percussão bem marcada, a faixa se utiliza de um synth sempre presente e dos vocais límpidos e imponentes de Sharon. Numa obra que fala muito do passado, e o homenageia celebrando o presente, a canção se destaca por invocar as imagens de uma estrada onde só se viaja numa única direção. “Jupiter 4” e sua assombrosa sinfonia de drones e vocais em multi tracking é uma das canções mais bonitas da carreira de Sharon e também vale o destaque. Na real, o disco todo é um belo registro onde a ousadia na produção e estruturação das faixas manteve a melancolia bonita que Sharon costuma imprimir em suas canções, sem deixar de conquistar um novo espaço de expressão artística.

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